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Se queres ser um designer, tens de aprender programação

Se queres ser um designer, tens de aprender programação

23.04.2018 Andre Faria

Silicon Valley percebeu o papel essencial dos designers.

Nos últimos anos começou-se a dar extrema importância à aparência dos produtos, o uso de interfaces tornou-se intuitivo e consequentemente o emprego dos designers está em ascensão. O papel dos designers na área da tecnologia tem vindo a mudar. As empresas são cada vez mais exigentes com os conhecimentos de programação e de JavaScript. Existem alguns designers tecnicamente proficientes - pessoas que não são programadores nem designers. Estas pessoas são muito atrativas para empresas, uma vez que não só são capazes de encontrar problemas, como também de os resolver, conseguindo assim criar vantagens competitivas. Quem o diz é John Maeda, um artista de renome Norte Americano. Todas as empresas de tecnologias inovadoras procuram este tipo de trabalhadores para as suas equipas.

Maeda está para o design como Stephen Hawking está para a Física - um tecnólogo maduro com mais de uma década de experiência no MIT Media Lab, antes de se tornar presidente da Rhode Island School of Design. É também sócio da Kleiner Perkins - empresa de investimento de capital de risco e atual chefe de informática na Automattic, a empresa matriz do serviço de blogs Wordpress.com. John Maeda participa anualmente para South by Southwest (um festival de cinema, música e tecnologia) onde apresenta o seu relatório de design em tecnologia, nuuma apresentação descontraída onde descreve o impacto da área de design na tecnologia e nos negócios. O design está no auge. Empresas como a Accenture, Deloitte e Capital One adquiriram mais de 71 empresas de design de consultoria independentes desde 2004, das quais 50 dessas aquisições multimilionárias de talentos ocorreram apenas nos últimos dois anos. Enquanto isso, faculdades de gestão começam a discutir design como um dos principais assuntos. Empresas como a McKinsey e a IBM colocam designers em posições de alta gestão, o que é um reconhecimento do design como profissão.

O papel do design está a mudar. Medea ressalta que os designers de maior sucesso são aqueles que são capazes de trabalhar com palavras, códigos e voz. São designers que sabem como criar uma óptima experiência em “chatbot” (bot de mensagens automáticas) ou via interface de áudio, que ainda são os métodos de comunicação mais utilizados.

Maeda cita o post do ano passado da blogger e designer de UK (User Experience), Susan Stuart, que compara o design UX com a escrita. “Aqui é onde eu gostaria de traçar o paralelo com a escrita - porque uma habilidade central do designer de interação é imaginar os usuários (personagens), as suas motivações, ações, reações, obstáculos, sucessos e um conjunto completo de cenários possíveis”. "Estas são as habilidades de um escritor." Neste ano, Maeda aprofundou a ideia sobre as habilidades dos designers, dedicando especial atenção ao campo do design de computadores (uma área que tem vindo a evoluir desde meados dos anos 90). Maeda distingue designers “clássicos”, os que projetam produtos para um grupo específico de pessoas (gráfico, designer industrial) e designers de "computador", os que lidam principalmente com o código e constroem continuamente produtos em desenvolvimento que afetam a vida de milhões de pessoas.

Um bom exemplo é o Instagram, onde se procura equilibrar engenharia e as limitações de design desde a sua criação. Desde cedo, a necessidade de armazenamento de dados e estruturas no computador (imagens e molduras pesavam demasiado num computador, e demoravam demasiado a ligar num website), por isso, em vez de limitar a interface a um ou outro, os designers do Instagram decidiram que cada fotografia é um quadrado. "Por ser um quadrado, não será preciso escolher o formato", diz Maeda. "Foi uma ótima decisão de design".

Designers familiarizados com o código sempre foram muito atrativos para empresas de tecnologia. No entanto, Maeda prevê que haverá um ponto de ruptura nessa área. Quando as fronteiras entre engenharia, escrita e design são confusas, a tarefa do designer está cada vez mais ligada no processo de desenvolvimento. No final, design como um campo independente torna-se menos visível, mas com mais importância. E, brevemente, o design não precisará dos 50 relatórios colaterais de Maeda para a glorificação de suas virtudes.

Fonte: https://www.wired.com/2017/03/john-maeda- want-survive- design-better- learn-code/

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